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“Tra il dire e il fare, c’è di mezzo il mare”*


A minha história de vida conta com duas décadas de imigração. E como imigrante, fui forjada mais ou menos assim: raízes fortes brasileiras e tronco italiano. Hoje, a copa dessa árvore é híbrida. No meu diálogo interior, onde uma língua não chega para expressar o que sinto, a outra vem socorrer para preencher o vazio.


É por isso que eu trago esse provérbio em italiano. Poderia usar a expressão em português “Falar é fácil, fazer é que é difícil”? Poderia. Mas não teria o mesmo valor simbólico. E eu gosto de profundidade, gente! Coisa rasa não é para mim. Leveza sim, raso não.


Se o que nos define são as nossas ações, pois são elas que materializam a fala e dão contorno ao que somos, por que gastamos tantas palavras?


Então vamos lá: o que ele fala sobre a nossa psicologia?


“C’è di mezzo il mare”


Simbolicamente o mar é a própria origem de tudo o que existe, mas nesse provérbio ele age como obstáculo. E esse obstáculo que ele está representando pode ser tanto porque foi originado por alguma coisa, como um trauma ou uma crença, ou porque o obstáculo tem a função de originar algo novo, no sentido de nos empurrar para outra direção.


Eu conheço esse mar. As minhas próprias travessias de oceano, feitas duas vezes como mudança de vida, foram momentos em que o simbólico agiu na matéria, mudando as minhas estruturas de forma irreversível. Foram travessias de fuga, sim, mas ao mesmo tempo profundamente anímicas. A quantidade de experiências e a influência dessas águas no que sou hoje são imensuráveis.


No entanto, quando o "falar" é muito mais do que o "fazer", precisamos ir mais a fundo: temos que distinguir se o desejo é real ou apenas uma introjeção. Às vezes passamos a vida falando sobre planos que não são nossos, mas de vozes que engolimos sem mastigar, vindas das expectativas da família ou da sociedade. É assim que a autossabotagem faz o seu ninho no profundo das águas.


E por falar em autossabotagem, aqui também precisamos de uma diferenciação: existe a autossabotagem da introjeção, onde o inconsciente trava a ação porque aquele caminho não é autêntico. Mas há também a autossabotagem do desejo real: o medo da própria potência e o temor do desconhecido que habita o fundo de nós mesmos. Sem contar a autossabotagem por ganhos secundários. Já ouviu falar? Se eu melhorar ou resolver aquele problema, o que eu perco? Perco cuidados? Perco proteção? Nesse caso o mar pode ser um esconderijo conveniente quando dizemos que desejamos mudanças mas mantemos o barco ancorado.


Seja como for, esse mar como obstáculo entre o falar e o fazer não é apenas uma distância, é um espelho.


Muitos mares atravessei, mas sei que ainda tenho muitos a atravessar. Agora mesmo, estou em uma ponta vislumbrando uma outra do outro lado. Falta pouco para zarpar de novo, pois começo a intuir a armadilha que meu "Eu Ideal" criou para mim… Estou aqui pensando em quais recursos posso usar para essa nova travessia…


E você? Já parou para pensar o que a incoerência entre o que você diz querer fazer e o que você realmente coloca em prática está querendo te dizer?




Glossário:

  • Tra il dire e il fare, c’è di mezzo il mare: Entre o dizer e o fazer, existe o mar no meio.



Temas tratados nessa crônica:



Atenção: Texto autoral, plágio é crime.



Se o meu olhar sobre a vida ressoa com você, talvez seja o momento de pararmos de olhar apenas para os sintomas e encararmos o que está operando nos bastidores da sua psique. Eu não ofereço fórmulas prontas, mas sim um percurso corajoso para quem está disposto a desconstruir mecanismos obsoletos e resgatar a própria autonomia.


Em atendimentos individuais e online, ofereço o suporte técnico e humano para que você possa expandir sua consciência e viver com mais verdade.


Vamos além do óbvio?




 
 
 

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