Vulnerabilidade: drama ou coragem?
- Fernanda Azevedo

- 15 de mar.
- 3 min de leitura
Como bem sabemos, a nossa maior escola somos nós mesmos. É através da reflexão sobre nossas próprias experiências que crescemos, e é exatamente nesse ponto que me encontro agora em relação ao tema da vulnerabilidade.
Estou em um processo de observação sobre o que a exposição de um desejo suscitou em mim e quais aprendizagens posso colher dessa semeadura. O que entendi, observando a mim mesma, é que a vulnerabilidade autêntica não é um ato manipulatório, mas sim uma prática de assertividade. Ela não contém drama, nem chantagem; ela se exime do vitimismo e assume as consequências — sejam elas quais forem — da própria exposição. Por ser esse ato de abertura, ela é impregnada de dignidade. Pode-se dizer, portanto, que a vulnerabilidade é uma das faces do desvelamento do Self.
Quando você se vulnerabiliza, você se expõe. E o que acontece ao que está exposto? Fica sujeito à imprevisibilidade e ao risco. Sabe qual é o significado da palavra vulnerabilidade com base na sua etimologia? Significa “qualidade de quem pode ser ferido”. "Ed ecco il punto!"*
Nossos egos feridos têm medo da vulnerabilidade porque ela nos faz sentir “pequenos”, remetendo-nos àquele período da vida onde permeava um profundo senso de impotência. Afinal, como aprender a ser vulnerável diante da instabilidade e das problemáticas do mundo adulto? Para a criança, a única saída de sobrevivência é se adaptar para não se ferir — ou para sê-lo o mínimo possível.
É nesse solo que nascem as máscaras, as defesas e as nossas reatividades. Perguntas como: “Se eu for vulnerável, vão me aceitar ou vão me punir?” ou “Vou me perder se eu for eu mesma?” muitas vezes nem passam pela nossa cabeça consciente. A gente simplesmente para de se questionar se vale o risco ou não.
Optar pela vulnerabilidade torna-se, então, um ato de empenho consciente e de autoconhecimento. É um compromisso que nos leva a ser coerentes conosco mesmos. E, como sentimos na pele, não é uma tarefa nada fácil — especialmente se falamos de uma vulnerabilidade autêntica, e não daquela "narcísica" que busca apenas validação.
Quando decido me expor — seja em um pedido, em uma confissão ou ao demonstrar quem sou realmente — eu risco a incompreensão, o abandono e a rejeição. Mas é só através desse risco que posso receber também a reciprocidade, o acolhimento e o contato real. Escolher o desvelamento é abandonar a segurança das sombras para habitar a própria luz. É um exercício de autonomia que nos abre, cada vez mais, para o mundo e para nós mesmos através de um ato de coragem.
Glossário:
Ed ecco il punto: E eis o ponto / E é aqui que eu queria chegar.
Temas tratados nessa crônica:
#Individuação #GestaltTerapia #Autonomia #VulnerabilidadeAssertiva #PsicologiaAnalítica #subjetividade #assertividade #autenticiadade #inteligênciaemocional #fronteiradocontato #fenomelologia #luzesombra #autodesvelamento
Atenção: Texto autoral, plágio é crime.
Se o meu olhar sobre a vida ressoa com você, talvez seja o momento de pararmos de olhar apenas para os sintomas e encararmos o que está operando nos bastidores da sua psique. Eu não ofereço fórmulas prontas, mas sim um percurso corajoso para quem está disposto a desconstruir mecanismos obsoletos e resgatar a própria autonomia.
Em atendimentos individuais e online, ofereço o suporte técnico e humano para que você possa expandir sua consciência e viver com mais verdade.
Vamos além do óbvio?



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